Durante congresso médico, o psiquiatra Dr. Leandro Ciulla apresentou os avanços, evidências científicas e perspectivas clínicas sobre a integração entre eletroconvulsoterapia (ECT) e escetamina, dois recursos que vêm ampliando as possibilidades de cuidado em casos graves de depressão e transtornos resistentes ao tratamento convencional.
A psiquiatria contemporânea atravessa um momento de transformações significativas, impulsionada pela busca por abordagens mais eficazes, seguras e humanizadas.
Em sua apresentação no congresso, o Dr. Leandro Ciulla, especialista em psiquiatria e psicoterapia, abordou um dos temas mais relevantes da atualidade: “Eletroconvulsoterapia e Escetamina — o que podemos esperar.”
O tema reuniu evidências clínicas, experiência prática e reflexão ética sobre o uso de terapias interventivas modernas, que vêm se consolidando como pilares no tratamento de depressões graves e resistentes, ideação suicida e quadros psicóticos refratários.
Eletroconvulsoterapia: eficácia e reabilitação de uma técnica histórica
Durante décadas, a eletroconvulsoterapia (ECT) foi cercada por estigmas e interpretações equivocadas.
Na palestra, o Dr. Leandro Ciulla destacou que, ao longo dos últimos anos, a técnica passou por um profundo processo de modernização — hoje é realizada com anestesia controlada, monitoramento rigoroso e parâmetros individualizados, tornando-se um procedimento seguro e previsível.
“A ECT continua sendo uma das intervenções mais eficazes na psiquiatria moderna.
Em casos de depressão grave, catatonia e risco iminente de suicídio, ela ainda apresenta taxas de resposta clínica acima de 80%”, ressaltou o médico.
Segundo o especialista, o desafio atual não é apenas técnico, mas comunicacional: é preciso reinserir a ECT no contexto de um tratamento ético, empático e informado, mostrando à sociedade que ela é uma ferramenta de recuperação, e não de punição ou dor.
Escetamina: inovação e resposta rápida
A segunda parte da palestra foi dedicada à escetamina (Spravato®), uma molécula inovadora, derivada da cetamina, aprovada para o tratamento da depressão resistente e que tem despertado grande interesse pela sua ação rápida sobre os circuitos glutamatérgicos do cérebro.
“Estamos diante de uma nova classe de antidepressivos.
Diferente das medicações convencionais, que podem levar semanas para agir, a escetamina pode reduzir sintomas em poucas horas ou dias, o que representa um avanço considerável para pacientes com risco agudo”, explicou o Dr. Ciulla.
Além do efeito antidepressivo, estudos recentes sugerem benefícios sobre a plasticidade neuronal e o restabelecimento de conexões sinápticas interrompidas pelo sofrimento emocional crônico — abrindo caminho para uma nova fase da chamada psiquiatria interventional.
Integração de abordagens: precisão e personalização
Em um dos trechos centrais da sua fala, o Dr. Leandro Ciulla enfatizou que o futuro da psiquiatria não está em escolher entre “velho” e “novo”, mas em integrar diferentes abordagens de maneira racional e personalizada.
“A ECT e a escetamina não competem. Elas se complementam.
Ambas têm seu lugar quando pensamos em restaurar o funcionamento cerebral e o bem-estar emocional.
O mais importante é compreender o paciente na sua totalidade, e escolher o caminho terapêutico que respeite sua singularidade.”
O conceito de psiquiatria de precisão foi reforçado como tendência, aliando tecnologia, neurociência e experiência clínica para desenhar planos terapêuticos adaptados a cada caso, muitas vezes combinando medicação, terapias interativas e suporte psicoterapêutico.
Humanidade e ciência: uma mesma direção
Encerrando a apresentação, o Dr. Ciulla reforçou o aspecto humano que deve acompanhar qualquer avanço técnico.
A psiquiatria, em sua essência, continua sendo o encontro entre ciência e escuta, entre o rigor metodológico e a empatia diante do sofrimento.
“Tratar é restabelecer conexões — químicas, emocionais e humanas.
A eletroconvulsoterapia e a escetamina são exemplos de como a psiquiatria pode evoluir sem perder seu compromisso com o cuidado integral.”
A apresentação do Dr. Leandro Ciulla no congresso destacou não apenas a relevância clínica da ECT e da escetamina, mas também o papel fundamental da humanização e da interdisciplinaridade no tratamento em saúde mental.
O equilíbrio entre tradição e inovação define o novo horizonte da psiquiatria — um campo em que a neurociência avança, mas a escuta permanece insubstituível.
